A hora da escolha

Carlos Carvalo, 19 de Setembro de 2016

      Está próximo o dia da eleição municipal, quando escolheremos os vereadores e o prefeito, que serão os responsáveis pela administração da maior empresa de Campos Altos: a Prefeitura. O orçamento anual, isto é, a arrecadação de impostos e repasses do governo federal e estadual, ultrapassa 40 milhões de reais. Acredito que não há nenhuma empresa em nosso município com faturamento maior.

      É um momento de muita responsabilidade para cada um de nós, pois vamos entregar essa “dinheirama” nas mãos de um dos candidatos para investir em nosso benefício. E a escolha dos vereadores é também de suma importância, pois eles serão os fiscais, os garantidores da utilização correta dessa “dinheirama”. É muita responsabilidade, você concorda?

       É a hora da escolha e ela tem que ser acertada, ou vamos amargar a má escolha por quatro anos. O exercício para a escolha certa é fácil: qual dos candidatos você confiaria para entregar quase a metade do seu salário para administrar? Se um deles é a resposta para essa pergunta, então ele deve ser a sua escolha para o próximo prefeito de Campos Altos, pois 36% de sua renda, do seu salário, são subtraídos em forma de impostos para serem transformados em atendimento médico, escolas para os seus filhos, segurança, ruas limpas, água tratada, energia elétrica, rios despoluídos, áreas de lazer, promoção de empregos, etc., etc., etc.. E se nenhum deles não é confiável para cuidar do seu dinheiro, então você está, como se diz popularmente, numa “sinuca de bico”, ou seja, desculpem-me o termo, “ferrado”. Você terá que fazer uma escolha, e ela não poderá ser o voto em branco, a abstenção ou a nulidade do voto, pois isso não é escolha, é omissão. E ainda, não votar significa votar no candidato mais fraco, menos preparado. A abstenção nas últimas eleições para Presidente da República pode ter decidido a favor de Dilma Rousseff, pois 30 milhões de eleitores não votaram, e a diferença entre os candidatos foi de apenas 3,4 milhões de votos. Não estou defendendo Aécio Neves, mas a omissão de 30 milhões de brasileiros colaborou para a atual crise financeira e política do Brasil. Os 30 milhões de brasileiros omissos poderiam ter dado uma chance para a mudança, mas preferiram ignorar. No final todos estão pagando o preço. É justo?

      A escolha de um novo prefeito para nossa cidade deveria ser pautada pela honestidade e pela competência do candidato. Mas tenho observado que muitos eleitores estão desprezando esses dois critérios importantíssimos, e fazendo a escolha por paixão, ou em troca de algum favor. Lula foi eleito e reeleito por paixão do eleitorado, que se deslumbrou com o operário, de origem pobre e da classe trabalhadora. O eleitor desprezou o critério da capacidade, da competência de Lula, a honestidade não foi questionada, ela era inerente à sua origem.  O desfecho foi trágico para o Brasil. Havemos de ter aprendido a lição.

       A paixão, sabemos todos, não é boa conselheira, nos cega e leva-nos a tomar decisões erradas. Não devemos, de maneira alguma, escolher o nosso futuro prefeito com paixão. Exemplos de escolhas erradas pipocam Brasil afora. Mas infelizmente tenho testemunhado atitude de muita paixão nas eleições em nossa cidade, e espero que o resultado não traga prejuízos para todos. Eleição não é como um campeonato de futebol, onde o que está em jogo é apenas o nosso ego. A escolha equivocada numa eleição irá nos atingir no direito que temos a bons serviços públicos, que atendam as nossas necessidades mais básicas: saúde, educação e segurança.

      Nossa cidade é pequena e carente, mas tem uma boa arrecadação de impostos, que bem administrada pode promover melhorias substanciais para todos. Observe os candidatos, procure-se informar do seu passado político, de suas realizações na vida particular, de sua capacidade de realização, de sua honestidade, do seu potencial de comprometimento com cidade, e principalmente, se ele tem um projeto pessoal de poder ou um projeto para a comunidade. Sem paixão, com clareza e muita responsabilidade, você fará a sua escolha certa. Talvez ela não venha ser a escolha da maioria, mas você a estará fortalecendo para a próxima eleição. Pense nisso.