Carta aberta aos candidatos

Carlos Carvalho, 03 de Outubro de 2016

Atendendo a inúmeros pedidos de amigos leitores dessa coluna, vou abordar a campanha eleitoral de vereadores em Campos Altos.

O excesso é comum nas campanhas eleitorais no Brasil, e provavelmente em outros países que, como aqui, a política seja vivenciada com muita paixão. Há algumas atitudes dos candidatos, repetidas em todas as campanhas, que eles acreditam serem adequadas, mas na verdade irritam o eleitor, desgastando a imagem do candidato e consequentemente a perda de votos.

O carro de som é uma dessas escolhas infeliz dos candidatos. Fica ainda pior por causa da má qualidade dos equipamentos utilizados, do alto volume do som e das horrorosas “musiquinhas” de campanha. É uma barulheira insuportável, e barulho não ganha eleição. Já imaginaram se os 83 candidatos a vereador em Campos Altos colocassem um carro de som na rua? E na elaboração dessas músicas de campanha ocorre uma apropriação não autorizada de obra de terceiro, pois acredito que nenhum deles tem autorização do compositor da música para usá-la na campanha. Assim o candidato já começa errado, com uma atitude antiética.

O material gráfico de campanha, conhecido por “santinhos”, aliás, nome inadequado para esse material de propaganda, é outro recurso utilizado sem o mínimo critério. Um amigo leitor dessa coluna, e também eleitor, me disse que durante a campanha, a caixinha para correspondências de sua casa sempre amanhecia entupida de santinhos e folhetos de candidatos. Outros jogavam o material no gramado!

O famoso “tapinha nas costas” de quatro em quatro anos é outra atitude que irrita os eleitores. Aqui faço uma observação: também não gosto do “tapinha nas costas”, mas exigir do candidato demonstração de afeto o tempo todo é coisa de eleitor carente. Troque essa carência afetiva por um análise mais aprofundada do candidato, antes de decidir o voto.

Outra atitude dos candidatos que irrita os eleitores são os pedidos de ajuda. Alguns candidatos acreditam que o papel do eleitor é ajuda-lo, quando na realidade é o contrário. Pedem o voto ao eleitor com alegação de que precisam de um emprego, que precisam aposentar-se no cargo, que precisam do salário de vereador para cuidar da mãe doente, enfim uma bizarrice descomunal.

Em comparação às campanhas eleitorais do passado houve avanços muito significativos, resultado de Leis bem elaboradas que protegem o eleitorado e restringe os excessos de campanhas. Mas pode melhorar ainda mais.

Pedir aos candidatos bom senso na propaganda eleitoral é “chover no molhado”. Nas próximas eleições tudo se repetirá. Mas atendendo aos meus amigos leitores dessa coluna, e outros tantos que me pediram para escrever sobre este assunto, insisto no assunto e faço as seguintes sugestões para os atuais e futuros candidatos: bom senso no planejamento de suas campanhas eleitorais, e respeito ao eleitor. Contratem carros de som com equipamento adequado, não trafeguem nos horários de descanso das pessoas, e regulem o volume do som a níveis suportáveis. Visitem os eleitores pessoalmente, ao invés de sujarem a sua residência com os santinhos. Não peçam o voto como um favor pessoal, isso poderá ofender o eleitor, pois para muitos o voto é um direito precioso, uma ferramenta para moldar um futuro melhor para os filhos e para si mesmo, e não para atender os seus desejos. Mostre suas propostas e comprometa-se a desempenhar as função de vereador com seriedade e honestidade, se for eleito. Faça algo em prol da comunidade, preste algum serviço filantrópico, envolva-se com assuntos da cidade, mostre-se valoroso para o bem comum. E lembre-se, a sua imagem, aquilo que você é, sua atitude, seu comportamento, valem muito mais do que qualquer propaganda.

Perceberam que os candidatos a vereador mais votados nessas eleições não usaram esses artifícios de propaganda tão repudiados pelos eleitores?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *