É legal ser brasileiro

Carlos Carvalho, 08 de Agosto de 2016

A desconfiança era grande. Diante da ineficiência generalizada na área governamental, do atual momento do Brasil, das dificuldades financeiras do Estado do Rio de Janeiro, não dava mesmo para acreditar nas olimpíadas. Mas o início foi fantástico. A cerimônia de abertura foi deslumbrante, emocionante! Surpreendeu a todos os brasileiros e o mundo inteiro também. Lavou a alma dos brasileiros. Como é bom mostrar para o mundo inteiro do que somos capazes!

Por algumas horas esquecemos a crise financeira, a crise política, a corrupção, a ineficiência do governo e os desmandos dos políticos. Assistimos um Brasil que funciona, que emociona, que alegra, que é bonito e faz bonito. Um Brasil que valoriza a sua história e quem fez parte dela; sua riqueza cultural, sua diversidade.

Nesses momentos reascende em cada um de nós o orgulho de ser brasileiro, um povo criativo, alegre, festivo e competente também!  Exorcizamos o sentimento de “vira-latas” do mundo e passamos acreditar que somos capazes, que podemos mais. E podemos mesmo, pois somos um povo forte. Nossa força vem da diversidade, da crença no trabalho, da solidariedade e da irmandade. Somos “gente boa”, hospitaleiros e muito sociáveis. É legal ser brasileiro.

Os organizadores da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foram muito felizes em suas escolhas. Levaram para o palco do evento ídolos do esporte, que representam ou representaram com muita dignidade o Brasil, e por isso criaram uma forte conexão com a população: Marta, Oscar Schmidt, Emanuel, Joaquim Cruz, Gustavo Kuerten, Hortência e Vanderlei Cordeiro de Lima. Reverenciaram Tom Jobim, o músico brasileiro mais conhecido e respeitado no exterior, e sua música, também mundialmente conhecida, Garota de Ipanema. Gisele Bündchen representou a beleza da mulher brasileira. Não esqueceram os ícones da MPB, Caetano Veloso e Gilberto Gil, mestres na arte da música. O Hino Nacional cantado por Paulinho da Viola foi uma aula de simplicidade e elegância. Perfeito. O simbólico voo do 14 bis, levou para as alturas a nossa autoestima e relembrou ao mundo que Santos Dumont, um brasileiro, é o responsável por uma das maiores invenções da humanidade: o avião.

Enviamos também um recado para o resto do mundo sobre a imperiosa urgência do aquecimento do planeta, com simbolismos durante a cerimônia: bicicletas, crianças com uma muda de árvore acompanhando as delegações, plantio de sementes de árvores pelos atletas para uma futura floresta, círculos olímpios em forma de árvore e uma pira olímpica pequena, gerando menos impacto para o efeito estufa.

Assistir a um evento dessa magnitude, com a presença de tantos heróis, e pensar que tantos outros ficaram de fora, dá um orgulho danado de ser brasileiro! Como povo temos o nosso valor, e não é pequeno. Somos um grande País, num território maravilhoso, com muitas riquezas naturais e com um futuro brilhante em nossas mãos. Depende somente de nós torná-lo realidade.

Os brasileiros estão dando um grande exemplo de patriotismo durante esses jogos olímpicos, como foi também durante a Copa do Mundo de Futebol em 2014. Precisamos, no entanto, estender esse patriotismo a outras causas também importantes para o País. Não nos bastará ser patriotas apenas no momento esportista.