Enfim… terminou!

Carlos Carvalho, 01 de Setembro de 2016

O processo de impeachment da Ex-Presidente Dilma Rousseff chegou ao fim com a sessão de julgamento no Senado. Com isso encerrou-se o processo de quase um ano, marcado por muita polêmica e ânimos acirrados, além do besteirol tão comum em nosso Congresso Nacional. É o fim de um ciclo, o ciclo do PT, que já venho dizendo há muito tempo causou enormes danos ao País, e levaremos muitos anos para recuperar.

Quanto à decisão de não tornar a Ex-Presidente Dilma Rousseff inelegível, isto é, cassar os seus direitos políticos, é uma incoerência descomunal. Interpretaram uma norma da Constituição de acordo com suas conveniências. E isso pode? É claro que não! Mas fizeram.

Para que abra um processo de impeachment é necessário que cidadãos elaborem um pedido contra o presidente e o apresente à Câmara dos Deputados. Ao longo do segundo mandato de Dilma, foram apresentados mais de 30 pedidos de impeachment. O pedido de três juristas, Janaína Paschoal, Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo, este último um dos fundadores do PT, foi aceito pelo então Presidente da Câmara, o Deputado Eduardo Cunha.

Todo o processo durou onze meses, de setembro de 2015 a agosto de 2016. Tempo demais em minha opinião. O País inteiro ficou em suspensão, parado. Nada foi feito, nenhuma medida importante foi tomada, enquanto a economia piorava, o desemprego aumentava e as necessidades mais básicas da população não eram atendidas.

Temos a descendência latina, e por consequência dela somos emotivos e apaixonados. Em nosso comportamento estão intrínsecas essas duas características. Tomamos nossas decisões e reagimos diante dos problemas emoção e paixão. Essas características são o avesso da praticidade, tão importante em momentos difíceis e de tomada de decisão. Vou lhe apresentar um exemplo de praticidade num momento de grande importância ocorrido no Reino Unido da Grã-Bretanha, formado pela Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte: após o plebiscito que determinou a saída do País da União Europeia, o primeiro ministro David Cameron, que havia prometido a convocação do plebiscito, mas que defendia a permanência do País na União Europeia anunciou a sua renúncia após a derrota. Ele agiu com praticidade, pensou no bem do País, e agiu sem paixão. Ele poderia continuar no cargo, nada o impedia! Mas ele entendeu que o País precisava de uma nova liderança para levar adiante a decisão do referendo. “Agora que a decisão foi tomada, precisamos encontrar o melhor caminho. Farei o que for preciso para ajudar”, afirmou David Cameron. “Eu amo esse País e me sinto honrado de ter servido a ele.” Não ouvi, nem de longe, muito longe, nada parecido com isso no discurso de despedida da Ex-Presidente Dilma Rousseff. Prometeu oposição ferrenha ao novo governo. E a mim não pareceu ser uma atitude altruísta visando o bem País, mas de retaliação.

Quanta paixão, quanto apego ao cargo, ao poder, às mamatas. Porque Dilma Rousseff não renunciou? O povo já não a desejava no cargo, não confiavam na sua capacidade de administrar o País. Enganou os eleitores durante a campanha, errou grosseiramente e não assumiu os seus erros em momento algum. Perdeu credibilidade, apoio no Congresso Nacional, e teimosamente persistiu no erro. Faltou humildade, clareza do momento delicado do País e não entendeu o clamor das ruas.

Alguns juristas afirmam que as acusações contra Dilma Rousseff eram fracas juridicamente. Mas o impeachment é também político, e ela foi julgada pelo conjunto a obra. A gerentona Dilma Rousseff mostrou-se incapaz ao cargo desde o primeiro mandato. Mas enquanto tudo estava bem não houve contestação.

Foi o segundo processo de impeachment na história política do Brasil, o primeiro do Ex-Presidente e atual Senador Fernando Collor, e agora da Ex-Presidente Dilma Rousseff. Eu considero normal acontecerem esses processos de afastamentos de presidentes, mas é necessário que eles produzam novas leis para proteger a população dos maus administradores, e que promovam melhorias nas já existentes. A nós, os eleitores, devem servir de lição, para que melhoremos os nossos critérios de escolha dos governantes.