quinta-feira, outubro 18Campos Altos - Minas Gerais - Brasil

Carolina Guimarães

O frio chegou…

A palavra frio   se veste de roupagens diferentes, dependendo da circunstância. Múltiplas palavras se vestem de roupagem diferente, em circunstâncias diferentes.

Agora, neste mês de maio, estamos vivenciando um frio sem enfeites, sem colorido, sem nuances.   Friiiiiiiiiiiiiiiiio   mesmo.  É o assunto dos noticiários.

Se encontramos alguém no mercado, nas filas de banco, na rua, a primeira frase que falamos ou ouvimos é: “ mas que frio, hein?!”

Faça o teste e constate você mesmo.

Somos privilegiados.   Temos casa e quarto confortáveis e cobertores quentinhos nos aquecem no escuro da noite…

Já os moradores de rua… não dá nem pra imaginar o que eles passam…

Como as palavras se vestem de roupagem diferente, em circunstâncias diferentes, imagino alguns outros significados dessa palavra de quatro letras apenas.

O frio da alma, as palavras frias…  Uma relação amorosa que vai se declinando, vai esfriando…   é   pior que o frio da natureza.

A frieza do olhar, a frieza das palavras, a frieza da alma…  Tudo são situações arrepiantes…   E não há cobertor ou lareira   que nos aqueçam quando esse frio aparece.

Penso no contrário e me empolgo:   um abraço gostoso nos esquentando o corpo e a alma, um aperto de mão solidário são o reflexo da temperatura da alma.

Esquentar o coração de alguém com afeto, com carinho, com gentileza, vale mais do que doar cobertores…   O bom mesmo é esquentar o corpo e a alma de alguém. Doar cobertores para aquecer o corpo e partilhar afeto para aquecer a alma.  Aí fica perfeito.

Quando crianças, eu e meus irmãos, morávamos na fazenda.  Não havia geladeira.   Tudo muito simples.   Uma vez, fizemos gelatina, colocamos   a vasilha num jirau ao ar livre, à noite.    De manhã, fomos conferir.   Deu certo.

Hoje, no distante do tempo, fico imaginando como é fácil ser feliz.   Naquele momento, naquele frio da roça, a gelatina nos fez gritar e pular de alegria!

Neste 22 de maio comemorou-se o dia do abraço.

Abraço de verdade, abraço quente de afeto, abraço amigo, abraço da pessoa amada, abraço da mãe e do pai, abraço dos filhos, abraço dos netos…   Um sem número de outros abraços.    Mas que seja caliente, e não mera formalidade.

Concluo assim o meu texto:    vamos aquecer quem sente o frio no corpo.    Mas, e principalmente, vamos aquecer os que sentem frio na alma!