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Onofre Ribeiro

2013 a 2018

Em: 15/08/2018 

Em julho de 2013 grupos de estudantes invadiram inesperadamente as ruas da cidade de São Paulo em manifestação contra um aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus. Enfrentaram a polícia e deram “um baile” nos policiais em absoluta ordem. O primeiro dia deixou atônitas todas as autoridades do país porque não havia comandantes do movimento. Nos dias seguintes o governo perdeu a noção do movimento. Habituado a lidar com movimentos comandados pelas centrais sindicais ou sindicatos e MST, etc. o governo não soube compreender as manifestações.

No fim da primeira semana a presidente da República de então juntou os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, do Supremo Tribunal Federal e os ministros fortes do governo. Veio a público em rede de televisão convocada no domingo á noite prometer mudanças na constituição Federal e falou até em plebiscito. Claro que não cumpriu nada. Queria mesmo só o tempo pra agendar uma contraofensiva.

Ela veio na forma dos “black blocs”, grupo de mascarados arregimentados pela CUT e pelo MST. Pagos com dinheiro vindo dos cofres da CUT e do MST, e estes vindos da Secretaria Geral da presidência da República, comandada pelo maquiavélico Gilberto Carvalho. Saíram às ruas juntos com os estudantes. Quebraram bancos, revendas de automóveis, prédios públicos, cabines telefônicas, picharam prédios e agrediram pessoas. Como o movimento dos estudantes era pacífico eles abandonaram as ruas e aparentemente o governo conseguiu sossegar aqueles protestos.

Bom lembrar que eles não tinham chefes, não tinham comando, tinham a própria tv gravada nos celulares e não tinham dinheiro público e nem privado. Defendiam no segundo momento ética na política, o fim da corrupção e a Copa do Mundo, vista já naquele momento como um monumento à corrupção.

Pois bem. Lá se foram cinco anos. A presidente caiu, os jovens não voltaram às ruas. A maioria está entrando no mercado de trabalho. Confusa. Sem horizontes decentes. Revoltados ou indiferentes. Mais indiferentes. Sabem que a política não os representa na forma como está constituída. Diziam nas manifestações de 2013 que os políticos não os representavam. Hoje muito menos. Sem empregos, eles são o ponto de enigma destas eleições. Votarão? Sumirão das urnas e deixarão o barco correr por conta própria?

A verdade é que depois de 2013 nada mudou na política. Ao contrário. Piorou! Sem empregos razoáveis e sem esperança, os manifestantes de 2013 não assistirão aos programas eleitorais, não verão comícios e se guiarão pelas redes sociais em meio a fakes e notas duvidosas. Pobre país que não pode contar com a sua juventude!


Adianta querer?

Em: 08/08/2018

Tá na boca de todo mundo: “que país queremos?”. Todos querem um país ao seu modo. Anotem: não teremos! Não é assim que funciona. Uma pessoa perdida lá nos cabrobós da vida grava num celular um desabafo escutado aqui e ali. No fundo não deseja nada daquilo. Ou melhor. Até deseja. Desde que não ofenda os seus interesses. Nesse sentido, não há pobre, classe média e ricos no país que não se aproveitem das brechas pra lesar alguém nessa ou naquela situação.

Não fomos educados pra sermos cidadãos de uma nação moderna. Fomos educados pra sermos subalternos. Queixarmos sem convicção, votar de qualquer modo, porque desejamos mesmo é reclamar em mesa de bar ou nas rodinhas de conversa.

Fomos cuidadosamente educados pra sermos rebanho. Rebanho não muda. Só com muito tempo e muito sofrimento. Do contrário, migalhas são bem vindas e mantém o rebanho ruminando em passiva mastigação.

A destruição dos valores foi longa e cuidadosa. O jornal The Wall Street Journal, dos EUA, publicou matéria didática neste fim de semana sobre o Brasil. Disse que tem algum dinheiro está se mudando pros EUA, Canadá e Portugal, principalmente. É, também, o sonho de boa parte da juventude. Causas dessa diáspora: a insegurança jurídica e social vigentes no país.

Criminosos assumiram o comando das penitenciárias. Protegidos pelo bem-estar oferecido pelo Estado comandam a vida dos milhões cá fora. Criaram uma guerra civil. Os sistemas judiciais e os de direitos humanos aparelhados por um emburrecido sistema de caridade, confunde bandidos com cidadãos vulneráveis. Vulnerabilizam a sociedade que produz. A instabilidade jurídica do social e das leis brasileiras aterroriza o mundo.

Ideologias velhas comandam o pensamento político. Leis analisadas a cada dia descobrem como se pode burlar a legalidade na economia, na política dentro do Estado que governa o país.

Sei que esta leitura é pessimista. Mas é ela quem chegará às urnas daqui a exatos 67 dias. Na linha de frente das discussões nada que o país precisará agora e no futuro. Apenas overdose da mediocridade já consagrada. Ah. Como mudar? Perguntaria o angustiado leitor. O tempo, o tempo, o tempo e a mudança das atitudes desse passivo rebanho que rumina o capim à sombra da sua mediocridade.

O que está em cima é igual ao que está em baixo.