terça-feira, dezembro 11Campos Altos - Minas Gerais - Brasil

Carlos Carvalho

Quem será o próximo presidente?

Dada a largada para as Eleições, e diante dos candidatos que se apresentam para o pleito eleitoral, parece-me que estamos numa “sinuca de bico”, se entende o trocadilho. Ou seja: “num beco sem saída”, com poucas opções ou quase nenhuma de escolha para o próximo presidente de nossa nação.

Serão dose candidatos, e poderá ser treze se o Partido dos Trabalhadores anunciar realmente o seu verdadeiro candidato, pois o já anunciado está preso e não pode concorrer. Mas a quantidade não resulta em “qualidade”. Nenhum dos candidatos tem a unanimidade do eleitorado. Nenhum deles carrega em seu histórico de vida pública as características que a maioria da população brasileira deseja para o seu próximo presidente.

Outro fator de confusão do eleitor são as ideologias de governo. A crise política fez retornar a discussão sobre “direita e esquerda”. Por falta de conhecimento muitos têm um conceito errôneo destes opostos. A esquerda no Brasil está ligada ao Partido dos Trabalhadores e consequentemente à corrupção e desvios do dinheiro público. A direita é entendida pela população como regime dos militares e a ditadura.  Algumas noções podem ajudar o esclarecimento.

Dois valores são à base das ideologias de governo: a igualdade e a liberdade. Ambos discutem sobre a justiça e o bem comum. A Democracia moderna defende que as pessoas devem ser livres e iguais. Mas a ordem desses fatores distingue de que lado um partido se posiciona.

Aqueles que defendem a liberdade (um valor individual) como prioritária, acreditam que ela não pode sofrer nenhuma intervenção, pois é do talento e do esforço do indivíduo que advém o progresso social. Esses são de direita, e defendem o Estado mínimo, que terá apenas o papel de defender os direitos individuais. Políticos de direita propõem privatizações, redução de gastos públicos, da carga tributária e o fim dos programas sociais.

Aqueles que defendem a igualdade (comparação entre indivíduos) como prioritária, acreditam que ela está acima dos interesses individuais. Na visão deles as pessoas com poder econômico vão sempre prejudicar as pessoas mais vulneráveis. Esses são de esquerda, e defendem o estado interventor, o estado grande, com o papel de corrigir as desigualdades decorrentes dos azares involuntários da vida. Os políticos de esquerda defendem a estatização, principalmente dos serviços de saúde, educação, transportes, e outros, com objetivo de assegurar tais direitos sociais às pessoas mais necessitadas. Em alguns países, inclusive o nosso, essa matriz ideológica propõe, e em muitos casos implanta, uma série de programas sociais sobre o manto da distribuição de renda, mas com recurso público, que geram aumento de gastos públicos e consequentemente a carga tributária. No Brasil existem 16 programas sociais. Um dos maiores é o bolsa família. Das cinco maiores economias do mundo, quatro não tem o viés socialista, defendido pela esquerda: Estados Unidos, Japão, Alemanha e Reino Unido.

Em minha opinião, neste momento o País precisa de um político experiente e com apoio no congresso para solucionar os problemas que tanto dificultam a vida de todos nós. No meu conceito seria melhor um político de centro direita, que incentive quem produz, pois é da produção de bens e serviços que se cria empregos, gera renda e aumento na arrecadação de impostos. Tudo o que País precisará nos próximos anos. Há entre os candidatos um com esse perfil, mas não citarei o nome para não o promover, pois esse não é o meu objetivo. No entanto ele está aliado a partidos que tem em seus quadros políticos investigados por corrupção, fato que certamente irá afastá-lo dos votos da maioria dos eleitores.

Será uma das eleições mais importantes da história de nosso País. Um momento de grandes decisões, que poderá ser um divisor de águas na trajetória de uma nação tão sofrida e renegada pelos políticos. O voto consciente de cada um de nós será de suma importância para o futuro de todos.


A prisão de “Lula”

Nos dias que precederam a prisão do Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fiquei na expectativa da repercussão que seria gerada, para então escrever esse artigo. Eu imaginava que seria o acontecimento mais bombástico da história política do Brasil. Visualizei passeatas com milhões de pessoas pelas ruas, em comemoração ou em protesto, confrontos de militantes dos partidos de esquerda com a polícia, inúmeras matérias na impressa, reações de políticos, pensadores, opositores e companheiros, enfim um acontecimento para abalar as estruturas políticas do País.

Mas nada disso aconteceu. Ocorreram pequenas manifestações, como fechamento de rodovias, miúdos protestos em algumas capitais, e a vigília de um pequeno grupo de militantes e correligionários na sede do Sindicato dos Trabalhadores do ABC Paulista, em apoio a desobediência de uma ordem judicial (para eles resistência), do Ex-Presidente. Até mesmo a vigília dos militantes do MST na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso, já foi encerrada.

Qual o significado dessa inexpressiva reação dos brasileiros? A mensagem é clara: para a maioria esmagadora dos brasileiros o assunto “Lula” não tem mais a menor importância, não desperta interesse! A sua prisão não muda nada em suas vidas! Todos estão mais interessados e preocupados com o futuro do País, sobre quem será o próximo presidente, e como os políticos irão conduzir o combate a corrupção.

Em minha opinião a prisão de Lula, pelo fato relevante de ser um Ex-Presidente da República, será um marco no combate à corrupção em nosso País, e na construção do Brasil que todos nós desejamos. Mas o caminho do combate à corrupção será longo e difícil. O primeiro passo deverá ser o fim ou limitação do “Foro por prerrogativa de função”, também conhecido por “Foro Privilegiado”. E vejam por que: nos últimos 27 anos, o número de parlamentares que foram investigados ou respondem por ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) ultrapassou 500 pessoas. Mas apenas 16 foram condenados por corrupção, lavagem de dinheiro ou desvio de verba pública. Desses, oito cumpriram (ou cumprem) pena, três recorreram e outros cinco tiveram os crimes prescritos. Entre os que foram considerados culpados, apenas o ex-deputado Natan Donaton continua preso. Ele foi o primeiro parlamentar a ter prisão decretada pelo STF desde 1988. Hoje ele cumpre pena de 13 anos por ter desviado recursos da Assembleia Legislativa de Rondônia.  Outros quatro seguem em prisão domiciliar: Asdrubal Bentes (PMDB-PA), João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Atualmente 171 parlamentares são investigados no Supremo Tribunal Federal. Desses 141 são deputados e os restantes senadores. Outros ainda serão investigados, como por exemplo: o Senador Aécio Neves.

Na contra mão dos inexpressivos números do Supremo Tribunal Federal estão os expressivos resultados da Operação “Lava Jato”, na Justiça Federal onde são julgadas as pessoas sem o “Foro Privilegiado”. Em apenas três anos 1765 procedimentos foram instaurados; 328 pessoas foram denunciadas; 123 já estão condenados; 198 prisões, entre preventivas, flagrantes e temporárias foram efetivadas; e 10,1 bilhões de reais recuperados ou em processo de recuperação. Sem o “Foro Privilegiado” esses números seriam ainda maiores!

Uma ferramenta de grande poder para o combate à corrupção está nas mãos do eleitor: “o voto.” Através do voto nós podemos promover uma “faxina política”. E ao contrário do que muitos pensam, é simples! Analise a conduta do seu candidato, e busque informações sobre investigações ou processos na justiça! Não vote em candidatos com histórico de corrupção. Vote em candidatos sérios, honestos, competentes e que se comprometam com o combate à corrupção. Se extirparmos da política nacional os maus políticos, estaremos dando uma contribuição importantíssima na construção de um futuro melhor para nossos filhos e netos. Pense nisso!

Carlos Carvalho
15/04/2018

Deixe uma resposta