segunda-feira, julho 6Campos Altos - Minas Gerais - Brasil
Shadow

Onofre Ribeiro

Onofre Ribeiro é mineiro de Campos Altos, nasceu em 4 de março de 1944. Estudou Jornalismo na Universidade de Brasília – UnB, e iniciou a atividade profissional no”Jornal de Brasília”, em 1973. Mudou-se para Mato Grosso em 1976. Daí para a frente continua na imprensa com uma longa trajetória em assessoria de imprensa, como editor de revistas, de jornais, de rádio, editor e apresentador de programas em televisão, professor universitário e como consultor em comunicação e em estratégias políticas.
Para ler outro artigos acesse: www.onofreribeiro.com.br


44 anos depois

Em: 18/02/2019

Na última sexta-feira, dia 14 de fevereiro, foi inaugurada a pavimentação do trecho de 51 km ligando, finalmente, toda a BR-163, a Cuiabá-Santarém, ao porto de Miritituba, no Pará. Demorou 44 anos para ser completamente pavimentada. Foi muito significativo pelas origens e pela história dessa rodovia. Tomo a liberdade de resgatar, porque no país perdeu-se a noção da História como referência de pátria ou mesmo de nação.

Em 1971, o coronel Antonio Paranhos inaugurou o 9º. Batalhão de Engenharia e Construção, o 9º0. BEC, transferido do Rio Grande do Sul, onde era o 5º. BEC, pra iniciar a construção da rodovia BR-163. A obra seria concluída na gestão do coronel José Meireles, em 1976. Foi uma epopeia gigantesca, considerando o tempo gasto na construção, que foi de cinco anos, com as máquinas da época. Sem contar o desconhecimento da selva e a falta de todos os tipos de recursos. Conversas com pioneiros da construção, impressionam pela coragem e determinação militares.

A rodovia fazia parte do Programa de Integração Nacional – PÌN, do governo federal , pra integrar a Amazônia ao restante do país. Lembrando que na época a França defendia uma tese de que a Amazônia não era só brasileira. Daí o PIN. Desde Tenente Portela – RS até Santarém seria 3.579 km. De sul a norte do país. Uma imensa aventura rodoviária.

Inaugurada em 1976 pelo presidente Ernesto Geisel, não foi asfaltada a partir de Cuiabá, porque a crise do petróleo em 1973 quebrou a economia brasileira. Em 1983 outra crise. O asfalto só veio em 1983 em diante no governo mato-grossense de Júlio Campos, com empréstimos internacionais. Foi até a então vila de Santa Helena, na entrada pra Colider. Foi até a divisa do Pará, e de soluço em soluço, chegou a Santarém, mas ficaram faltando 51 km no estado. Em 2018, 5 mil carretas carregadas de soja e milho passaram o Natal atoladas nesse trechinho.

O que significa a conclusão? Em 1976, na inauguração, Mato Grosso não produzia nada exportável. Mal e mal o consumo interno. Hoje, pela rodovia BR-163 sobem pros portos de Miritituba e Santarém 13 milhões de toneladas anuais de grãos e carnes. Com tendência de dobrar em cerca de dez anos. Em Mato Grosso e Pará a rodovia tem 1.300 km. Segundo a Aprosoja o frete agora cairá 26% o que significa R$ 780 milhões por ano. Esse dinheiro fica na fonte da produção. Representa lucro pros produtores. Já o Instituto Mato-grossense Pesquisa Agropecuária-IMEA fala na imediata redução do frete em 10%.

Apenas lamento, que tendo demorado tanto, todos os personagens daquela época histórica não estejam aqui pra assistir à finalização do seu sonho. Todos já morreram. Mas, afinal, o seu sonho se concluiu.


2020

Em: 07/01/2020

Neste primeiro artigo de 2020 vou tentar trazer uma leitura crítica à luz de uma realidade inevitável. Neste fim de ano minha mulher Carmem e eu decidimos dar uma volta de carro de Cuiabá a Minas Gerais, Brasília e de volta a Cuiabá. Algo como 3 mil quilômetros.

Na ida, desde Cuiabá a realidade é formada pela presença de intensas atividades econômicas no campo. Lavouras e mais lavouras. Na rodovia carretas e mais carretas. Isso significa o trânsito de produção e de insumos em larga escala. Quando cheguei à Serra da Petrovina, cerca de 80 quilômetros adiante de Rondonópolis a paisagem não mudou mais até Araxá, a 1.300 quilômetros, em Minas. Lavouras de soja, milho, eucalipto. Tudo em larga escala. Tráfego pesado nas rodovias.

Para os habitantes urbanos de cidades como Cuiabá, ou do litoral, o preconceito é grande. Traduzem tudo como interior. E se é interior não merece respeito porque a imagem é a do atraso da ignorância e da pobreza. É de doer tanta ignorância. O uso de tecnologias é vasto, a posse de bens é grande e a qualidade de vida é invejável. A propósito. Depois de Araxá, onde mora o meu tio Pedro, irmão do meu pai, e sua família, visitei e me hospedei na casa do amigo Tarcísio, em Campo Alegre, distrito do pequeno município serrano de Santa Rosa da Serra. Lá vivem ele e o seus irmãos e famílias, entre eles Geraldo. Estudamos juntos na escola média, em Campos Altos. Vivem do café de suas lavouras, com a melhor qualidade de vida possível. Bons carros na porta, todo o conforto material, tecnologia à mão, a menos de 300 km de Belo Horizonte. Internet, telefone celular, água e energia elétrica, asfalto. Mais do que tudo isso: paz e renda de boa qualidade. Em Campos Altos visitei dois amigos: Joubert Bitencourt e Cleusa, e Miguel Célio Ramalho e sua família. Ótimas conversas e a mesma sensação de bem viver.

Essa é cara do interior que visitei. De lá até Brasília passei por Patos de Minas, um exemplo de riqueza e desenvolvimento à parte. Foi inevitável comparar a qualidade de vida daquela gente com a qualidade de vida urbana em cidades como Cuiabá e as cidades do litoral, por exemplo. Vida apertada, violência, renda curta, perspectivas de futuro bem complicadas.

De fato o interior do Brasil que está na cabeça dos urbanos, não existe mais há pelos menos uns 20 anos. Saí de Campo Alegre morrendo de inveja do meu amigo Tarcísio e de toda a família. Vivem no paraíso.

Em outro artigo vou abordar a segunda face dessa viagem. Um país produzindo por conta própria pra alimentar um Estado atrasado, irresponsável, corrupto e gastador. Estenda-se às unidades regionais. Gigolôs de uma realidade que a política e a burocracia geral, incluindo os chamados poderes, não são capazes de lidar e mito menos de compreender.

Volto nesta semana a Cuiabá, dividido entre o entusiasmo da sociedade produtiva, e inércia burra do Estado que governa o país.


1 milhão de anos

Em: 12/11/2019

Meu pai morreu aos 90 anos em 2010. Sempre tivemos longas e boas conversas. A sua simplicidade técnica não o impedia de enxergar o mundo numa visão claríssima e, acreditem, frequentemente profética. Nossas discordâncias eram poucas. Pelo fato de morar em Cuiabá e ele em Brasília, quando nos víamos alongávamos as nossas conversas. Gostava de ouvi-lo teorizar sobre temas complexos, na sua visão simplista mas certeira. Hoje chamaria aquela visão de sabedoria.

Numa dessas suas teorizações ele disse-me: entre 1920 em que nasceu e 2010 o mundo andou um milhão de anos. O que havia em 1920 era muito simples. Metalurgia básica na forma de ferramentas como enxada, foice, machado, serrote, etc. Já em 2010 ele se entusiasmava com o controle remoto da televisão que tomava a maior parte do seu tempo diário. Achava o computador e o celular absolutamente fantásticos. Em 15 de agosto de 2010 ele partiu levado por um câncer traiçoeiro. Pensava que os dois eram invenções dos extraterrestres que nos deram como presente, ou em troca de minérios raros. Deixou um grande vazio com as suas teorizações proféticas.

Lá se vão quase dez anos. E o mundo gira cada vez mais rápido nas suas transformações. O pior é que muita gente que deveria se importar ainda se comporta como meu pai em 1920. Os sistemas tecnológicos, vindos ou não dos ETs em que ele acreditava. Desde que ele se foi apareceram a inteligência artificial, o big data, a indústria 4G, o whatsapp e o facebook. Os ETs já não são mais tabu como eram em 2010. Espera-se, como ele previa, o contato a qualquer momento. As gerações novas que ele tanto admirava estão realmente avançando confusas nesse mundo em transformações aceleradas.

O choque do conceito é muito duro: não estamos numa época de mudanças. Estamos numa mudança de época. Parece só um jogo de palavras, mas estamos falando da virada de um mundo pra outro. Na esteira dessas transformações perdem-se as religiões, os dogmas, as teorias científicas na sua maioria, a política, os conceitos de política, de economia, de Estado e de sociedade.

Imagine-se a educação nova frente à internet 5G, uma rede em tempo mais do que real. Celulares e eletrônicos diversos capazes de navegar na impossibilidade das mentes mais desavisadas de hoje.

O leitor deve estar perguntando o porquê deste artigo. Responderia que é o seu objetivo é mera provocação pra alertar que todas as mudanças de época ao longo da História varreram ideias velhas e gente agarrada a elas. Fórmula pra adaptações: nenhuma! É a construção do dia a dia. Cada nova ideia joga-se outra fora. Se entre 1920 e 2010 correram 1 milhão de anos, imagine-se nos próximos 10 anos?


Mundo novo, novo mundo

Em: 12/11/2019 

Em todas as regiões do mundo estão acontecendo fenômenos sociais estranhos. Vamos citar os de Hong Kong lá no extremo Oriente. Mas passam pela Europa, exemplo a França na luta com os seus coletes amarelos. Não há país no mundo onde o estopim não esteja aceso. É só uma questão de tempo pra explodir. Os fósforos já estão nas mãos das massas de milhões de pessoas.

Na América Latina o fogo vem se alastrando com muita rapidez. Cada país com as suas razões. Embora as ideologias tentem assumir o protagonismo, na verdade, tudo é muito maior. As razões pelas quais os coletes amarelos lutam, não diferem muito dos jovens de Hong Kong e muito menos do Chile. Na Venezuela as razões são claras, mas em questão de tempo sairão do poder governamental pra racionalidade que já se alastrou no resto do mundo.

Então, o que há por detrás desses movimentos? Voltam no tempo. Desde o fim da segunda guerra mundial o mundo todo entrou num processo de reconstrução econômica, política e social. Chegou ao agora. Países ricos, países pobres. Países desenvolvidos, países atrasados. Justiça social nuns, injustiça noutros. Industrialização nuns, atraso nos outros. Distribuição de riqueza social nuns, pobreza distribuída noutros.

O que gostaria de registrar é que ao longo desses 64 anos o mundo construído em cima das consequências das duas grandes guerras (1914-1918 e 1939-1945), tornou-se esse mundo que ai está. Profundamente desigual e conflitado. No meio as ideologias de direita e de esquerda tentando assumir o novo protagonismo. Mas as sociedades não querem mais as ideologias que trouxeram o mundo até aqui.

O que querem as pessoas do mundo? Querem se tratadas como protagonistas da razão de se viver no planeta. Não querem ser tratadas como manadas sociais. Aí está a razão de tantas movimentações sociais no mundo na forma de protestos. No Chile o exemplo é gritante. País equilibrado não bastou. Povo na rua em profunda discórdia. Os governos interpretam errado enxergando-se o problema único. Não são! O problema é que as pessoas querem ter direito a serviços públicos, seus impostos bem usados, novas visões do Estado, novas visões da política, da economia e da cidadania. Mais igualdades.

Com algum exagero pode-se dizer que desejam algo parecido com a anarquia.

Essa nova linguagem para a existência humana está em construção e os establishements governamentais e econômicos não perceberam. Até a equalização entre o que hoje existe e o que poderá advir. Em outras palavras: as pessoas do mundo querem viver por si mesmas!


Fim de muitas eras

Em: 30/07/2019

Quem está assustado com o clima de reviravolta na América Latina saiba que pode piorar muito. Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Brasil, por ora. Uruguai vem aí. Há um histórico muito grande correndo no vazio dos fatos. Vamos tentar passar o lápis num breve desenho que justifique o título deste artigo.

A América Latina, exceção das guianas, na América do Sul, e algumas ilhas na América Central, do México pra baixo foi tudo colonização espanhola e portuguesa. Na época dessa colonização esses dois países eram os mais atrasados da Europa medieval. Logo, a colonização foi também atrasada. Continua atrasada.

Na verdade, todos os 19 países de colonização espanhola e o Brasil, o único português, Ainda conservam traços do caudilhismo colonizador. Em 2019 a Argentina retorna ao peronismo suicida da década de 1950. O Brasil retorna aos militares de 1964-1985. Em todos os demais países se busca encontrar uma identidade mínima de nações livres desde o século 19.

Esse modelo baseado na condução da política e da economia em cima da ação de elites aproveitadoras, ou de líderes políticos emergidos dessas mesmas elites. Aqui não se entenda elite como sinônimo político, mas como uma camada social construída historicamente com a missão de dirigir essas nações.

Enquanto a Europa e os países asiáticos também colonizados ou colonizadores em algum momento da sua história se encontraram, os países latino-americanos não evoluíram. Continuam atolados no subconsciente servil implantado pelos colonizadores. Em todos os países latino-americanos os ciclos históricos foram marcados pelo servilismo a lideranças nativas construídas em cima da ignorância coletiva.

Neste momento em que o mundo inteiro está passando por algum tipo de convulsão econômica, política ou social, a América Latina também se convulsiona. Atrasada em relação ao resto do mundo. Mas alguma coisa está acontecendo. Então, o raciocínio é simples: a América Latina está mudando de ciclo.

Nesse possível novo ciclo não cabe mais a cultura histórica do servilismo ao Estado, aos líderes políticos e aos líderes econômicos tradicionais. Não se sabe o que virá no lugar. Mas sabe-se que tem uma profunda mudança ocorrendo. Claro que ela não será pacífica e nem rápida. Os líderes políticos, econômicos e sociais existentes em todos os países não servem mais. Formar líderes novos num novo tempo é demorado e sofrido. Ainda mais se essa formação se der durante um processo de desconstrução da História.

O Brasil? Perguntaria o leitor. A resposta é curta. Vai padecer longamente a transição da colônia português para uma nação brasileira. Não tem quem o faça!


Velhas questões ambientais

Em: 30/07/2019

No começo da década de 1970 a França liderou um movimento na Europa no sentido de se internacionalizar a Amazônia. Ganhou força e precisou de uma resposta brasileira. Hoje o assunto volta com força num novo momento e num mundo completamente transformado. Vamos aos fatos: em 1973 a mesma França tentou expandir a demarcação do limite das águas internacionais na costa brasileira pra facilitar-lhe a pesca de camarões.

Pra questão amazônica, o governo brasileiro na época, tomou uma série de providências estratégicas. Vamos ficar só numa: a ocupação da Amazônia com gente em situação vulnerável no Sul e no Nordeste. Pra tanto, abriu-se a rodovia Transamazônica pra acessar São Luis-MA a Manaus-AM. E iniciou a ocupação da Amazônia pelo lado, Sul, partindo de Cuiabá. A ocupação de Mato Grosso deu-se nesse período. Esvaziou o tema da internacionalização da Amazônia.

Mas agora ele volta com muita força, num outro mundo. Na Europa o presidente da República do Brasil foi confrontado pesado por dirigentes europeus, entre eles a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel. Nos Estados Unidos apareceu uma cínica campanha publicitária: “Farmer here, florest there” (fazendas aqui, florestas lá). O pano de fundo da campanha é o de que a agropecuária brasileira está acabando com a Amazônia. Pra ajudar o INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Especiais, que mede os desmatamentos no país, sempre jogou pra torcida das ONGS internacionais que criam fantasmas ambientais historicamente no Brasil e no mundo. Criou-se no INPE uma crise política com o presidente da República. Com razão, porque tem muita ideologia supostamente acadêmica no meio.

O que significa essa nova pressão ambiental sobre o Brasil e sobre a Amazônia? Ontem pela manhã li que na atual crise de comércio entre os Estados Unidos e a China, por detrás está a pauta de produtos americanos pra enfrentar a imensa pauta chinesa. Na pauta dos EUA em primeiro lugar estão os alimentos. Depois aviões e os processadores de computador.

Logo, alimento é um item importantíssimo em todas as pautas mundiais. Faz sentido emperrar a produção brasileira que tem se destacado fortemente e tem mantido conduta de convivência sustentável com o meio ambiente. Com mídia poderosa, manipula-se a opinião pública mundial em desfavor do Brasil. Pior é que a maioria das embaixadas brasileiras na Europa e nos EUA é manipulada por quadros aparelhados de esquerda com a sua visão conhecida sobre o capital, etc.

O próprio Vaticano entrou no tema, motivado pela ala esquerdista do Brasil, com o Sínodo dos Bispos a ser realizado na Amazônia no mês de outubro deste ano. A pretexto de tratar das questões sociais dos povos da região, a pauta está direcionada pras questões ambientais, com forte motivação político-ideológica. No fundo, fala-se em outras palavras do mesmo jogo “farmer here, forest there”.

Se pode chamar de sorte, está o fato de que o Brasil não é mais governado pela esquerda e os militares que governam tem histórica visão nacionalista. Porém, esse dilema de convencer o mundo que Amazônia tem dono, ainda vai percorrer longa estrada em razão dos novos caminhos da economia mundial.


Transformações rápidas e difíceis

Em: 23/04/2019

De tempos em tempos o planeta ou a humanidade sofrem transformações profundas em diferentes graus de dificuldades. Assim foi no fim do Império Egípcio, do Império Persa, do Império Romano, início do ciclo das navegações. Lá atrás o surgimento da agricultura, a descoberta do ferro, a descoberta do vapor, o começo da industrialização, a descoberta da eletricidade. Depois disso as grandes guerras mundiais do século 20 que mudaram todo o perfil da industrialização e gerando tecnologias inexistentes.

Com essas tecnologias nas mãos, o saldo da segunda guerra mundial, de 1939 a 1945, foi a divisão do mundo em duas vertentes políticas, econômicas e ideológicas diferentes, resultando na chamada Guerra Fria. De um lado os Estados Unidos e seus países alinhados. De outro a União Soviética, liderada pela Rússia, com 15 repúblicas. No meio desse emparedamento mundial surgiram crises impressionantes e a ameaça contínua de uma terceira e fatal guerra mundial que destruiria o planeta em função dos extraordinários arsenais nucleares de parte e aparte.

Em 1989 começou o fim do armamento dos dois blocos e a dissolução da União Soviética. Custos impossíveis de serem mantidos e um pouco de racionalidade política entre nas duas grandes potências líderes dos dois blocos encerrou a guerra fria e abriu as bases de um multilateralismo político entra nações da atualidade.

O fim da guerra fria dispensou milhares de tecnologias exclusivas de uso militar que foram adaptadas ao mundo civil. Entre elas os computadores para uso em massa e a internet. A partir daí o mundo mudou radicalmente. Entramos agora na fase da inteligência artificial, do Big data, da internet das coisas e na indústria 4G.

O assunto é longo pra fazer justiça ao titulo do artigo. Mas queroe encerrar deixando no ar uma equação pros leitores. Até que ponto o modo humano de viver até aqui consagrado ao longo da História, vai se organizar rapidamente pra se ajustar ao salto quântico das tecnologias conforme dito acima?

Responsabilidades pro pensamento da educação, dos pesquisadores, dos cientistas sociais, dos religiosos e dos líderes espirituais, dos governantes do mundo e do capital. Mas tem um detalhe: é pra amanhã! Nossos filhos e jovens dependem disso pra terem um futuro mínimo!


Curva de rio

Em: 28/04/2019

Impressionante como o mundo está se parecendo com curva de rio. Tudo se embaraça por um tempo e se enrosca nas curvas dos rios. Aos poucos vai se desembaraçando até as próximas chuvas. Outros troncos e galhadas param de novo e tem-se o mesmo ambiente. Noutra época e com outras galhadas. O que não mudam são os embaraços de cada ano.

De tempos em tempo fica tão forte a galhada que o rio represa e acaba obrigado a alargar-se sozinho e criar novo curso. Surgem praias no lugar do antigo leito. Curvas desaparecem pra surgir em outros lugares. Mas o rio é sempre um canal natural de formação de galhadas.

Rios mais largos e de mais correnteza formam poucas curvas. Mas se formam, são poderosas curvas com poderosas galhadas que levam muito mais tempo pra se desfazerem. Rios largos não mudam as suas curvas. Ou rompem as galhadas, ou vazam pras margens. Aí os problemas são outros. Inundações imprevisíveis.

O leitor deve estar se perguntado o porquê dessa conversa.

É que o mundo inteiro virou uma imensa curva de rio.

Ao longo dos séculos foram se acumulando galhadas e agora é hora de remover isso sob pena de um colapso ambiental-humano incalculável.

As tecnologias novas, as mudanças do comportamento das pessoas no mundo inteiro. As novas percepções da vida humana no planeta são apenas algumas das variáveis encalhadas na curva desse imenso rio.

Chamam-se a atenção as novas percepções espirituais que aos poucos mexem com a cabeça das pessoas não importando onde elas vivem e qual seja o seu grau civilizatório.

Concluo este artigo com mais dúvidas do que respostas. O rio vai se romper já e levará as galhadas de uma vez só. É o que nos assinalam os novos tempos produzidos por um antigo e ancestral amadurecimento da jornada humana no planeta.

Enfim, meras reflexões pra um fim de semana…!


Transformações rápidas e difíceis

Em: 23/04/2019

De tempos em tempos o planeta ou a humanidade sofrem transformações profundas em diferentes graus de dificuldades. Assim foi no fim do Império Egípcio, do Império Persa, do Império Romano, início do ciclo das navegações. Lá atrás o surgimento da agricultura, a descoberta do ferro, a descoberta do vapor, o começo da industrialização, a descoberta da eletricidade. Depois disso as grandes guerras mundiais do século 20 que mudaram todo o perfil da industrialização e gerando tecnologias inexistentes.

Com essas tecnologias nas mãos, o saldo da segunda guerra mundial, de 1939 a 1945, foi a divisão do mundo em duas vertentes políticas, econômicas e ideológicas diferentes, resultando na chamada Guerra Fria. De um lado os Estados Unidos e seus países alinhados. De outro a União Soviética, liderada pela Rússia, com 15 repúblicas. No meio desse emparedamento mundial surgiram crises impressionantes e a ameaça contínua de uma terceira e fatal guerra mundial que destruiria o planeta em função dos extraordinários arsenais nucleares de parte e aparte.

Em 1989 começou o fim do armamento dos dois blocos e a dissolução da União Soviética. Custos impossíveis de serem mantidos e um pouco de racionalidade política entre nas duas grandes potências líderes dos dois blocos encerrou a guerra fria e abriu as bases de um multilateralismo político entra nações da atualidade.

O fim da guerra fria dispensou milhares de tecnologias exclusivas de uso militar que foram adaptadas ao mundo civil. Entre elas os computadores para uso em massa e a internet. A partir daí o mundo mudou radicalmente. Entramos agora na fase da inteligência artificial, do Big data, da internet das coisas e na indústria 4G.

O assunto é longo pra fazer justiça ao titulo do artigo. Mas quero encerrar deixando no ar uma equação pros leitores. Até que ponto o modo humano de viver até aqui consagrado ao longo da História, vai se organizar rapidamente pra se ajustar ao salto quântico das tecnologias conforme dito acima?

Responsabilidades pro pensamento da educação, dos pesquisadores, dos cientistas sociais, dos religiosos e dos líderes espirituais, dos governantes do mundo e do capital. Mas tem um detalhe: é pra amanhã! Nossos filhos e jovens dependem disso pra terem um futuro mínimo!


O Brasil não é pra amadores

Em: 08/01/2019

A frase “O Brasil não é pra principiantes”, é do compositor Antonio Carlos Jobim, falecido em 1994. Nem por isso o conceito mudou. Antes. Piorou! Ao olhar o país hoje dá pra ver uma corrente de elos grossos e finos se arrastando atrás de todos nós. O futuro parece pouco animador quando se vê que quem nos dirige aqui e ali são representantes de poder. Não das pessoas. Merece um breve resgate histórico pra se compreender o poder político e econômico no Brasil.

Fomos colonizados por Portugal entre 1548 e 1822. Foram-se os portugueses mas deixaram uma pesada herança de patrimonialismo preguiçoso que junta os interesses das pessoas que governam e os do Estado que, em tese, pertence à coletividade. O patrimonialismo misturou de forma cruel os dois interesses. Hoje quem governa, governa dentro dos mais duros princípios do patrimonialismo. O que é da coletividade é antes de tudo, meu! Essa é a ideia do patrimonialismo brasileiro.

O patrimonialismo português/brasileiro, nunca nos deixará ir pra frente. Não interessa que o poder saia do circuito Estado-Governantes. Tem que ser gêmeos pra dar certo pra quem governa. A coletividade serve unicamente pra receber as promessas dos discursos sempre focados nos problemas e nunca nas soluções. Solução significa perder votos. Prometer é da cultura político do poder que sustenta o patrimonialismo.

Hoje o patrimonialismo sobrevive dentro dos partidos políticos que criaram e sustentam as estruturas do poder dentro do Estado, A partir daí se constroem e se governam os interesses que vão da ocupação de cargos estratégicos, concessões públicas, concorrências públicas, questões tributárias, subvenções, proteções até a fiscalizações do Estado criminosamente dirigidas.

O sucateamento dos serviços públicos que veio daí, acaba se justificando como um novo discurso nas próximas eleições. “Vamos consertar isso que está aí”. Novo caos depois de eleitos. Novos discursos. Infinitamente a repetição da criminosa mediocridade patrimonialista.

Como mudar isso? perguntaria o leitor. A resposta parece ser uma só. O tempo. O tempo. O tempo. O tempo. Mas dentro desse tempo cabe colocar que o mínimo de massa crítica da coletividade apressaria o processo. Aqui entram algumas pragas da mediocridade instalada a partir do patrimonialismo pra anestesiar a coletividade: futebol, álcool, telenovelas e agora as redes sociais. Cada um na sua medida não teria problemas. Mas foram canonizados como se fossem religiões fundamentalistas. Uma coletividade dessas nunca sairá da cegueira. Quantos anos ainda?

Tom Jobim repetiria sua frase 25 anos depois de sua morte, talvez mais pessimista…!



Segurança jurí­dica

Em: 08/01/2019

Em outubro de 2014 no encerramento do seminário Paex da Fundação Dom Cabral em Belo Horizonte, a palestra final do professor José Paschoal Rossetti foi profética. Ele disse temer muito pelas consequências da reeleição da então presidente Dilma Rousseff, por conta da seguida perda da confiança mundial na economia brasileira e na insegurança jurídica que o país ostentava aos mercados nacionais e internacionais. Especialmente em relação aos investidores internacionais. Bom lembrar que o Brasil já fora rebaixado pelas agências que avaliam o grau de confiança de países.

Vou citar abaixo textualmente a frase do professor Rossetti: “Nos próximos 50 anos o Brasil será o país preferencial para investimentos mundiais em infraestrutura de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias, além das áreas da sustentabilidade ambiental, dos recursos minerais e dos recursos naturais (água, oxigênio, clima).Porém, falta-nos a indispensável segurança jurídica”.

Entro no tema do artigo. O governo Bolsonaro entrou batendo em alguns dos principais pontos da insegurança jurídica brasileira: a desburocratização e a despolitização ideológica nas áreas ambientais, fundiária e indígena. Eram jóias da coroa nas gestões petistas, porque tem o poder de entravar o desenvolvimento econômico e de manter um discurso ideológico trôpego. De outro lado mexer na pesadíssima burocracia federal histórica do Brasil e em setores cruciais como o trabalhista e o tributário, sem falar na previdência social. Além, claro, de diminuir o peso da estrutura do Estado e mexer nos poderosos privilégios conquistados ao longo da História. Principalmente depois da fatídica Constituição de 1988.

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, marco Aurélio, a respeito da segunda instância, proferida em liminar nos minutos finais da última sessão do ano, soou como um tapa na cara do mundo inteiro. Como a corte suprema do judiciário brasileiro faz uma loucura dessas? Típica aventura jurídica. Pra efeito dos investidores internacionais teve o efeito de uma bomba atômica.

Colocar tudo isso nos trilhos só terá sentido se resgatar a segurança jurídica no Brasil. Do contrário, seremos essa eterna nação que voa como galinha. Voa baixo, voo curto e cai de barriga.



2019: data-limite

Em: 03/01/2019

A partir da ampliação da internet, no final da década de 1990, conhecimentos anteriores mantidos sob forte reserva nas religiões, na academia e em grupos espiritualistas ou ritualísticos, começaram a vir a público. Numa velocidade impressionante. Aqui cabe o material relativo ao título deste artigo. O tema é muito vasto. Mas tomo a liberdade de me ater a apenas um. Ao vídeo do escritor espírita Chico Xavier (1910-2002). Nele Chico Xavier faz uma relação entre a chegada do homem à Lua em 20 de julho de 1969.

Antes, um pouco de História.

A corrida espacial pra se chegar à Lua começou muito antes em consequência da Guerra Fria. Uma corrida entre os EUA e a União Soviética pela expansão de suas ideologias e de espaços políticos no planeta. Havia no ar permanente risco de uma terceira guerra. As primeiras foram entre 1914 e 1918 e 1939 e 1945. A terceira seria nuclear, com certeza! E, também, com certeza destruiria o planeta. Pior. Prejudicaria o sincronismo planetário da Constelação Via Láctea, da qual o planeta faz parte.

É muito controvertida a pisada do homem na Lua. A NASA norteamericana que patrocinava o evento, escondeu muitas coisas. Entre elas maquiou fotos onde apareciam objetos estranhos no solo lunar. E proibiu os astronautas de maiores comentários sobre tudo o que viram e sentiram.

Pois bem. Voltamos ao tema principal, a data-limite. Chico Xavier conta em vídeo disponível no youtube e textos no google, de um encontro extra-terreno no planeta, entre seres diversos e lideranças políticas a respeito dos efeitos de uma terceira guerra mundial. Ali se estabeleceu um pacto que duraria 50 anos. Ou seja, até 20 de julho de 2019, período em que o planeta entraria em uma quarentena de comportamento. Sob riscos de intervenções vindas da ordem central que governa os planetas. Aqui se pode considerá-la religiosa ou não. O leitor deve estar me achando louco. Não. Não traria um assunto destes e numa hora destas sem convicções bem embasadas.

O ano de 2019 se inicia sob essa expectativa. Mas também de cenários mais duros no planeta e nas nações. No caso brasileiro, trata-se da reconstituição de linha de pensamento político mais moderado e direcionado a um futuro sem ideologia socialista.

Paralelo ao governo que se iniciou há dois dias, corre o destino do planeta. Até julho ocorrerão mudanças climáticas, políticas, econômicas e financeiras relevantes em todo o mundo. Claro, atingindo o Brasil. Movimentos espiritualistas de grande respeitabilidade dão crédito ao fim de um grande ciclo civilizatório humano e ao nascimento de um novo ciclo virtuoso. Algumas religiões, entre elas o espiritismo, falam em passagem da era de expiação para a era de regeneração. Mas é um longo processo que apenas começaria neste ano, dizem os estudiosos e outro profetas e místicos. Tema pra reflexão! Se houver interesse dos leitores posso voltar ao tema.


Enfim, 2018 se vai…

Em: 30/12/2018

…mas anuncia 2019 cheio de surpresas. É um ano que promete muito!

Tanto no mundo quanto no Brasil. Aliás, no Brasil será um tempo de grandes reflexões e de inevitáveis transformações. Em Mato Grosso não será diferente. À primeira vista falar em 2019 traz uma certa percepção de pessimismo. Mas não é verdadeira. O tempo em que acontecem grandes transformações assusta alguns, mas uma minoria percebe e se aproveita da nova onda. Sempre foi assim. As mudanças significativas que atingem as coletividades são precedidas de profundas crises.

O Brasil vem de crise em crise. A morte de Getúlio Vargas em 1954 desencadeou uma sucessão de crises que passou pelos governos militares por 21 anos, depois por sucessivas ondas. Incluindo uma de centro-esquerda e outra de suposta esquerda. Desmontou-se o Estado brasileiro em cima do fisiologismo dos partidos políticos, dos superpoderes dados aos poderes da República, e ao esvaziamento do Poder Executivo em detrimento do Congresso Nacional.

Com os partidos esfacelados, ganharam donos que colonizaram o Congresso Nacional aproximando-o de uma pocilga. O mais todo mundo conhece. O Poder Judiciário, vizinho do Congresso apreciou o cheiro do ambiente e se igualou. O Ministério Público jamais escondeu a sua vertente ideológica de esquerda próxima do suicídio coletivo. As estatais perderam completamente a sua função executiva de setores de ponta e se transformaram em castelo privativo dos partidos e dos políticos. Quebraram todas e as desmoralizaram. Cito duas: a Petrobras e os Correios. Exemplos de eficiência estão à beira da falência técnica, financeira e moral.

Então. Nesse ambiente de terra arrasada entramos em 2019 com uma leve percepção de esperança. Aliás, esta foi uma das virtudes sociais perdidas ao longo das últimas décadas. Tivemos alguns vôos de galinha, mas não passaram disso.

A eleição de um presidente à direita, se é que se pode dizer que no Brasil exista direita ou esquerda. Tudo é uma enorme confusão de interesses que adota fachadas por conveniência como se nação civilizada politicamente fosse. Mas o novo presidente conseguiu inspirar esperança. Alguns pontos são muito bons: reduzir a corrupção crônica. Reduzir o tamanho do Estado. Privatizar e conceder tudo o que possa ser exercido pela iniciativa privada. Começar a esboçar uma nova Constituição Federal no lugar da atual, uma colcha de retalhos escrita no calor do ódio ao fim do regime militar.

A sociedade brasileira torce com alguma serenidade. Não teme a política porque sabe que ela é um ninho de gatos. Mas aprecia sinais de revitalização da economia. Essa, efetivamente interessa às pessoas, às famílias e à sociedade produtiva.

Não digo que teremos o paraíso. Mas pessoalmente estou convicto de que tempos menos tensos e menos psicodélicos nos aguardam a partir do dia 1º de janeiro. Voltarei ao assunto antes da passagem do ano.


Que Pais é este?

Em: 12/12/2018

2019 se iniciará muito diferente de 2018. No ar muitas interrogações. Alegrias e incertezas. Alegrias pelo fim de um ciclo ideológico de iniciado em 1995. Incerto pelo ciclo que se iniciará em 2019.

Começo por um vídeo do programa “Painel WW”, do jornalista William Waack, ex-Rede Globo. Discussões sobre o futuro governo Jair Bolsonaro, partindo de um ponto bem definido: a presença de até agora cinco generais no primeiro escalão do governo. A pergunta proposta aos três qualificados entrevistados foi se a opinião público aceita militares de volta ao poder? E se aceita, como reage?

Análises lúcidas e bem interessantes, já que o programa na rede digital permite análises mais bem feitas, sem aquela paranóia do tempo televisivo na Globonews, onde ele apresentava até o começo deste ano programa de mesmo nome. Levou-se em conta a passagem dos militares pelo poder político brasileiro entre 1964 e 1985 e a sua experiência administrativa e filosófica.

Os entrevistados foram unânimes que a opinião pública brasileira não só aceita os militares na gestão, como aprecia a sua preparação estratégica e nacionalista. Foi lembrado que os militares brasileiros vem da classe média, que é uma camada intermediária e balizadora entre os ricos e os pobres. Conserva os valores sociais, promove o andamento da dinâmica política, social e econômica. Possui o melhor poder de compra e ainda guarda os valores sociais. Sendo assim os militares não são a elite como são os de todos os países latinoamericanos.

Outro ponto é seu reconhecido nacionalismo baseado na crença de pátria, depois do período de esquerda em que o conceito foi deturpado pra um projeto ideológico. O que se discutiu no programa e gerou a melhor parte do debate foi que os generais e outros grupamentos de oficiais das três forças que participarão do governo Bolsonaro não participarão de um projeto de poder político. Servirão a um projeto de governo como técnicos qualificados.

Depois do fim do regime de 21 aos de poder político militar, eles se recolheram aos quartéis e as gerações seguintes tomaram medo da política. Mas internalizaram estudos pra se reconhecerem nos seus erros e acertos ao longo dos 21 anos entre 1964 e 1985. Hoje estão muito preparados estrategicamente pra reconhecer a nação brasileira e os seus caminhos no que tange à ideia do desenvolvimento e do nacionalismo. Um general percorre nos seus 35/40 anos de carreira uma extensa carreira acadêmica sobre o país, o seu desenvolvimento econômico, social e político. Mora e serve em até 40 transferências de domicílio. Conhece, portanto, os problemas nacionais na sua cara mais íntima.

Gostaria de estender o assunto, mas o espaço é curto. Encerro o artigo assinalando que a presença militar não será uma presença política. Será presença no governo numa visão de nação. Uma leitura diferente da leitura supostamente acadêmica dos últimos anos da esquerda, baseado nas teorias dos livros e pouco ou quase nada do real deste país chamado Brasil.



De fora e de dentro

Em: 19/11/2018

O Brasil tem duas vertentes de sua história atual pra rearranjar, depois de longa destruição nesses últimos 18 anos. Um pouco pra trás também. Mas nesses 18 anos foi de doer o desmonte interno e externo do país.

Por dentro, o próximo governo terá muitas frentes pra arranjar a fim de dar o mínimo de produtividade e segurança jurídica ao país. Tudo é inadiável. Enfrentar reformas da segurança pública, tributária, previdenciária, da política, do funcionalismo público, das universidades públicas transformadas em escolas de ideologias, da educação que desce o morro ano após ano. Resolver gargalos propositalmente colocados no caminho do funcionamento do país, através de órgãos muito mais ideológicos do que funcionais, como o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama, a Funai e o Incra.

Combater a corrupção que hoje marca profundamente o funcionamento de todos, sem exceção, órgãos públicos na administração direta, na indireta e nos poderes. Pra não falar das estatais. Desaparelhar a máquina esquerdista do Estado, marcada pra empreguismos e pra não deixar as coisas andarem por meio de uma burocracia absurda.

Isso é tarefa pra muitos anos. Vários governos.

No campo externo, o mundo olha pro Brasil dentro da ótica da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, pra quem o “o mundo deixou de se interessar pelo Brasil”. Ou, “Corrupção igual à do Brasil, só o Brasil aguenta”.

Restabelecer relações diplomáticas com países importantes do mundo, na ótica dos interesses nacionais maiores e deixar de lado a preferência por republiquetas como Venezuela, Bolívia, Equador e Cuba e outras africanas.

No plano interno e externo mais do que urgente será restabelecer a ordem jurídica e mostrar ao mundo que no Brasil as leis valem pra todos. Ao contrário de hoje quando o Judiciário julga cada caso por óticas diferentes usando a mesma lei. Razões? Ideologia, dinheiro, desinteresse e em alguns casos despreparo dos magistrados. Conter a retaguarda militante e quase sempre contaminada por ideologias do Ministério Público. Enfim, rever essa Constituição enlouquecida que temos.

O curioso é que o mundo nunca teve tanto dinheiro liquido pra investir em infraestrutura de estradas, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias, meio ambiente, projetos de sustentabilidade e minerais. Mas a cada vez que o STF julga ou re-julga uma lei de modos diferentes ou autoriza absurdos, o mundo encara como um tapa na cara e torce o nariz pro Brasil. Como investir bilhões numa republiqueta?

Voltarei ao assunto, mas deixo aqui a certeza de que não há saída pro Brasil diferente de se auto-rever, se rediscutir e se reescrever. Tanto pela passagem petista na sua gestão, como pela sua história confusa e desinteressante em muitas fases de sua vida.


Bolhas que quebram o Estado

Em: 07/11/2018

O tema é espinhoso. Mas é real. Quanto mais cedo for tratado, mais cedo deixará de se transformar de espinhoso em conflituoso. São três vertentes. O funcionalismo público caríssimo pro cidadão-contribuinte, os poderes, e as despesas públicas. Somados esses três elementos inviabilizaram e os custos do Estado brasileiro, repetindo-se nos estados e municípios. Ficou insustentável. Enquanto havia ambiente aumentaram-se os impostos. Com a carga tributária no teto em relação ao mundo, o Brasil tem que resolver essa equação pelo caminho da redução das despesas do Estado.

Com a politização do serviço público brasileiro a partir de 1991 pela entrada do sindicalismo em território virgem, através das centrais sindicais, em especial a CUT, o serviço público aprendeu a fazer greve e a defender direitos cada vez mais crescentes. No período FHC, com seu viés de esquerda, abriu os cofres pro serviço público. Nem é preciso dizer o que houve nos governos petistas.

Hoje os salários no serviço público são muito superiores aos de idêntica função no mercado privado. Porém, a produtividade é muito inferior. Sucessivos reajustes salariais e o inchamento da máquina pública com funcionários, a partir das coligações partidárias de 1997 em diante, entupiu o serviço público de gente ociosa. Logo, de custos crescentes.

A mesma bolha alcançou os poderes. Todos os poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas e por conta da farra as empresas estatais, saíram completamente da realidade brasileira. Salários altos e penduricalhos a títulos de compensações. Algumas vergonhosas! No plano federal e nos estados.

Por fim, o déficit público nacional, próximo de R$ 200 bilhões em 2019, acendeu perigosa luz vermelha no painel. Sem poder aumentar os impostos governos terão que tomar atitudes. A primeira delas é cortar custos. E pra isso terão que furar todas as bolhas. Imagino as reações. Ninguém querendo perder vantagens, o clima ficará muito azedo.

Em Mato Grosso já se fala abertamente em Planos de Demissão Voluntária-PDV, pra funcionários estáveis de uma série de autarquias. Vai generalizar. No plano federal será uma tempestade. Muita gente deixando o emprego e descobrindo a dureza da vida sem o salário depositado no fim do mês, faça sol ou faça chuva. Volta à escola pra reaprender e a percepção dura de que a vida não cabe dentro de bolhas de vantagens!

Fico cá imaginando que, finalmente, a minha geração parece enxergar um tempo de eficiência e de baixo custo do Estado que nos governo, depois de ciclos de farra com os nossos impostos.


Re-construção

Em: 21/10/2018

Nenhuma grande nação tornou-se grande sem passar por algumas encruzilhadas longas e dolorosas. Tenho muito gosto pela História. Nenhum império da antiguidade tornou-se império sem antes passar por provas terríveis. Nenhuma grande população tornou-se grande por milagre ou por doação divina. Tudo teve que ser construído. Dediquei grande parte da minha vida a estudar a história egípcia. Império poderosíssimo da antiguidade construído em cima de esforços imensos. Quando esse esforço diminui ou fraqueja a História cobra o preço: o fim do império!

A Europa só saiu do absolutismo monárquico depois de séculos de sofrimento e, por fim, a Revolução Francesa. Mas a revolução destruiu milhares de pessoas. É um preço alto que se cobra nessas circunstâncias. Assim a História foi construída. No correr desta semana vi alguns filmes sobre as guerras na Ásia: na Malásia, na Coréia, no Vietnã e no Cambodja, além do clássico “As cartas de Iwo Jima”. Sofrimentos incalculáveis pra mudar o correr da História.

O que tem isso a ver com o Brasil? perguntaria o leitor. Tem tudo a ver. Somos um país nascido da pesada colonização portuguesa na América. Era um projeto predatório de arrancar o máximo de extrações possíveis, sem compromisso com qualquer tipo de futuro. Acabamos por nos tornar uma nação, mas profundamente contaminada por aquela ideia original de submissão.

Tudo isso pra chegar em 2018 onde, pela primeira vez, surge efetivamente na cena uma opinião pública brasileira que só agora se mostra nascendo. Demorou 518 anos. Desde sempre fomos uma colônia mal libertada do domínio português.

O que se vê na eleição de 2018 é uma onda de opinião pública caminhando numa direção. O mérito é que não se trata de uma onda provocada pelo marketing. Mas pela percepção nacional de que a política mal conduzida como veio nesses anos, é capaz de destruir uma nação grande ou pequena,

Não importa o resultado. A verdade é que, bem ou mal, o próximo presidente da República e os chamados poderes não poderão mais reinar absolutos encarapitados no alto dos seus privilégios e bem-estar pagos por 205 milhões de outras pessoas.

Por fim, parece-me que depois desta eleição, quaisquer governantes serão efetivamente policiados e julgados pela opinião pública. Aliás, muito revoltada com a colonização do cruel Estado sobre todos nós.



2013 a 2018

Em: 15/08/2018 

Em julho de 2013 grupos de estudantes invadiram inesperadamente as ruas da cidade de São Paulo em manifestação contra um aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus. Enfrentaram a polícia e deram “um baile” nos policiais em absoluta ordem. O primeiro dia deixou atônitas todas as autoridades do país porque não havia comandantes do movimento. Nos dias seguintes o governo perdeu a noção do movimento. Habituado a lidar com movimentos comandados pelas centrais sindicais ou sindicatos e MST, etc. o governo não soube compreender as manifestações.

No fim da primeira semana a presidente da República de então juntou os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, do Supremo Tribunal Federal e os ministros fortes do governo. Veio a público em rede de televisão convocada no domingo á noite prometer mudanças na constituição Federal e falou até em plebiscito. Claro que não cumpriu nada. Queria mesmo só o tempo pra agendar uma contraofensiva.

Ela veio na forma dos “black blocs”, grupo de mascarados arregimentados pela CUT e pelo MST. Pagos com dinheiro vindo dos cofres da CUT e do MST, e estes vindos da Secretaria Geral da presidência da República, comandada pelo maquiavélico Gilberto Carvalho. Saíram às ruas juntos com os estudantes. Quebraram bancos, revendas de automóveis, prédios públicos, cabines telefônicas, picharam prédios e agrediram pessoas. Como o movimento dos estudantes era pacífico eles abandonaram as ruas e aparentemente o governo conseguiu sossegar aqueles protestos.

Bom lembrar que eles não tinham chefes, não tinham comando, tinham a própria tv gravada nos celulares e não tinham dinheiro público e nem privado. Defendiam no segundo momento ética na política, o fim da corrupção e a Copa do Mundo, vista já naquele momento como um monumento à corrupção.

Pois bem. Lá se foram cinco anos. A presidente caiu, os jovens não voltaram às ruas. A maioria está entrando no mercado de trabalho. Confusa. Sem horizontes decentes. Revoltados ou indiferentes. Mais indiferentes. Sabem que a política não os representa na forma como está constituída. Diziam nas manifestações de 2013 que os políticos não os representavam. Hoje muito menos. Sem empregos, eles são o ponto de enigma destas eleições. Votarão? Sumirão das urnas e deixarão o barco correr por conta própria?

A verdade é que depois de 2013 nada mudou na política. Ao contrário. Piorou! Sem empregos razoáveis e sem esperança, os manifestantes de 2013 não assistirão aos programas eleitorais, não verão comícios e se guiarão pelas redes sociais em meio a fakes e notas duvidosas. Pobre país que não pode contar com a sua juventude!



Adianta querer?

Em: 08/08/2018

Tá na boca de todo mundo: “que país queremos?”. Todos querem um país ao seu modo. Anotem: não teremos! Não é assim que funciona. Uma pessoa perdida lá nos cabrobós da vida grava num celular um desabafo escutado aqui e ali. No fundo não deseja nada daquilo. Ou melhor. Até deseja. Desde que não ofenda os seus interesses. Nesse sentido, não há pobre, classe média e ricos no país que não se aproveitem das brechas pra lesar alguém nessa ou naquela situação.

Não fomos educados pra sermos cidadãos de uma nação moderna. Fomos educados pra sermos subalternos. Queixarmos sem convicção, votar de qualquer modo, porque desejamos mesmo é reclamar em mesa de bar ou nas rodinhas de conversa.

Fomos cuidadosamente educados pra sermos rebanho. Rebanho não muda. Só com muito tempo e muito sofrimento. Do contrário, migalhas são bem vindas e mantém o rebanho ruminando em passiva mastigação.

A destruição dos valores foi longa e cuidadosa. O jornal The Wall Street Journal, dos EUA, publicou matéria didática neste fim de semana sobre o Brasil. Disse que tem algum dinheiro está se mudando pros EUA, Canadá e Portugal, principalmente. É, também, o sonho de boa parte da juventude. Causas dessa diáspora: a insegurança jurídica e social vigentes no país.

Criminosos assumiram o comando das penitenciárias. Protegidos pelo bem-estar oferecido pelo Estado comandam a vida dos milhões cá fora. Criaram uma guerra civil. Os sistemas judiciais e os de direitos humanos aparelhados por um emburrecido sistema de caridade, confunde bandidos com cidadãos vulneráveis. Vulnerabilizam a sociedade que produz. A instabilidade jurídica do social e das leis brasileiras aterroriza o mundo.

Ideologias velhas comandam o pensamento político. Leis analisadas a cada dia descobrem como se pode burlar a legalidade na economia, na política dentro do Estado que governa o país.

Sei que esta leitura é pessimista. Mas é ela quem chegará às urnas daqui a exatos 67 dias. Na linha de frente das discussões nada que o país precisará agora e no futuro. Apenas overdose da mediocridade já consagrada. Ah. Como mudar? Perguntaria o angustiado leitor. O tempo, o tempo, o tempo e a mudança das atitudes desse passivo rebanho que rumina o capim à sombra da sua mediocridade.

O que está em cima é igual ao que está em baixo.

Deixe uma resposta