Mais do mesmo

Carlos Carvalho, 17/06/2016

O governo interino chefiado pelo Vice-Presidente Michel Temer, despertou sentimentos diversos, expectativas variadas e muita esperança. Num momento tão atípico e confuso é natural toda essa diversidade de reações da população. Mas temos que ser realista e não criar muitas expectativas. A atual crise política e econômica é muito profunda para ser resolvida em apenas um governo. O “Governo Temer” não será o governo da salvação nacional, como se autodenomina. Será apenas um governo transitório que deverá preparar o País para o sucessor. O sucesso do “Governo Temer” dependerá dos ajustes na economia e das reformas que conseguir aprovar no Congresso Nacional, para a previdência e para o sistema tributário.

Analistas afirmam que serão necessários vários governos para corrigir os sérios danos causados na “era petista”. Alguns dizem que serão necessários até vinte anos para recuperar a economia do País e a credibilidade junto aos investidores. Outros, que será em menor tempo, mas todos são unânimes em afirmar que não acontecerá nos próximos três ou cinco anos. Pode ocorrer uma pequena recuperação já em 2017, provocada pela mudança do governo e por suas ações, se forem acertadas.

O Vice-Presidente Michel Temer, que alguns correligionários já consideram equivocadamente Presidente, transmite a impressão de boa intensão, e só nos resta inicialmente acreditar. Mas a trajetória do PMDB não é garantia de que isso seja verdadeiro. As nomeações de integrantes investigados para ministério e a distribuição de cargos entre os inúmeros partidos da base aliada reforça a desconfiança. Logo na primeira semana de governo, Romero Jucá, Ministro do Planejamento e braço direito de Michel Temer, foi forçado a pedir afastamento do cargo após a divulgação de gravações que o comprometem em relação à Operação Lava Jato, do Ministério Público Federal. Neste final de semana a divulgação de novas gravações implicou seriamente o Ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, que renunciou. É mais do mesmo, não foi um bom início, mas tenho esperanças que o Governo Temer consiga dar um alento a todos nós.

Eu entendo a necessidade do governo de conquistar apoio para aprovação das medidas de ajustes na economia. Mas o “toma lá dá cá” que envolveu a formação do ministério demonstra o desprezo dos políticos com o País e com a população. Não era o momento de negociar cargos em troca de apoio! É o momento de apoiar incondicionalmente o atual governo e deixar para 2018 as disputas políticas. Mas infelizmente a maioria dos nossos políticos não tem esse desprendimento, e também não é comum entre eles o cumprimento de acordos e compromissos. Então é “cobra comendo cobra”!

A maioria das pessoas não consegue perceber o estrago que um mau governante pode provocar em suas vidas. Agem como se os danos resultantes de uma má gestão pública atingissem apenas o “outro”, o vizinho, nunca a ele. Continuam, irresponsavelmente, votando em governantes sabidamente incompetentes e incapazes de gerir o “bem público”, de investir com lisura o dinheiro dos nossos impostos. Nossos políticos são ruins, porque nosso voto é ruim. Precisamos, como eleitor, evoluir, aprender discernir entre o bom político e o enganador. Escolher os nossos administradores pela capacidade e não pela simpatia ou por ideologia política.

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